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Dicas de Reforma

Sabrina Schmidt – Engenheira civil e Sócia da Armón Engenharia.

Quarto em reforma

Os 3 maiores problemas que podem inviabilizar uma reforma

Recebemos com frequência projetos lindos no papel, mas que, ao chegarem para execução, revelam uma série de limitações práticas. Eu sempre digo que papel aceita tudo, mas a obra não. Por isso, é essencial que arquitetos e designers que ainda não têm vivência em execução busquem entender as limitações do canteiro e as implicações reais das soluções projetadas.

Quando um projeto é aprovado e o cliente está animado com o que foi proposto, não há nada pior do que, só na hora da execução, descobrir que aquela solução não é viável. A frustração é enorme, e totalmente evitável com mais diálogo entre projeto e obra.

Mas vamos ao que interessa, os três problemas que mais encontramos nas reformas e que, dependendo do caso, podem até inviabilizar a execução:

1. Deslocamento de vaso sanitário.

Esse é o campeão dos problemas. Muitos projetos preveem mudanças no layout do banheiro sem considerar que o vaso sanitário não pode simplesmente ser “mudado de lugar”. Para deslocar esse ponto, muitas vezes é necessário abrir o forro de gesso do vizinho de baixo e refazer a tubulação, o que é um transtorno enorme e, em muitos casos, inaceitável para o cliente.

Em prédios mais antigos, onde há enchimento na laje dos banheiros, o deslocamento pode ser possível sem interferir no vizinho, desde que o novo ponto esteja dentro da antiga área molhada. Se o projeto pedir um vaso em um local sem enchimento, aí não tem solução fácil. Em alguns casos, a alternativa é criar um degrau no piso, elevando o nível para permitir a inclinação necessária da tubulação. Mas tudo isso precisa ser avaliado com antecedência, pois além de ser necessário conferir a viabilidade dessa solução, algumas pessoas não estão dispostas a ter um degrau para entrar no seu banheiro.

 

2. Demolições não permitidas.

Outro erro comum é prever a demolição de paredes sem verificar previamente a estrutura do imóvel. Em apartamentos sem projeto estrutural disponível, só descobrimos no local se a parede é estrutural, se tem uma viga embutida ou mesmo um pilar disfarçado.

Quando isso acontece, o projeto precisa ser revisado, e o sonho do cliente pode ir por água abaixo. Em alguns casos é possível contornar com reforço estrutural, desde que haja envolvimento de um engenheiro calculista. Mas pilares e vigas de edifícios, por exemplo, dificilmente permitem alterações. Por isso, é indispensável que o projetista leve um engenheiro para vistoriar o local antes mesmo de conceber o projeto, principalmente em imóveis antigos ou sem documentação completa.

3. Capacidade elétrica insuficiente.

Esse é um clássico em imóveis antigos. Hoje em dia, temos uma demanda elétrica muito maior do que há décadas. Equipamentos como forno elétrico, cooktop de indução, micro-ondas, ar-condicionado, air fryer e chuveiros potentes exigem uma capacidade elétrica que muitas construções antigas simplesmente não têm.

A solução é abrir um processo de aumento de carga junto à concessionária, no nosso caso, a Cemig. Mas esse processo é demorado, burocrático e tem um custo significativo. Em apartamentos, o problema é ainda mais grave: o aumento de carga precisa ser feito para todo o prédio, o que exige aprovação em assembleia, adequações no padrão coletivo e pode gerar um custo altíssimo, tornando a reforma inviável.

Esses são os três maiores vilões que vemos no dia a dia da execução. E todos eles poderiam ser evitados ou, pelo menos, previstos com antecedência, se o projeto fosse pensado em diálogo com quem executa. A obra não é um lugar de improviso. Quanto mais afinados estiverem o projetista e o executor, melhor para todo mundo, principalmente para o cliente.

 

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